A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é o distúrbio mais comum da função ovariana em mulheres na pré-menopausa afetando 6 a 10% delas. A SOP é caracterizada por anovulação crônica (ausência de ovulação) e excesso de hormônios masculinos com manifestação clínica de:

  • Ciclos menstruais irregulares
  • Hirsutismo (excesso de pelos)
  • Acne e oleosidade
  • Queda de cabelo

A resistência à insulina, com aumento de insulina no sangue, independentemente do excesso de peso, tem sido relatada em pacientes com SOP e como a insulina tem um efeito direto sobre a produção de hormônios masculinos do ovário, a resistência à insulina pode desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento da SOP.

O excesso de insulina resultante da resistência insulínica, representa o papel mais importante na patogenia (causa) da SOP

A hiperinsulinemia, resultante da resistência insulínica, representa o papel mais importante na patogenia da SOP, pois a insulina em excesso aumenta a secreção de LH pela hipófise, contribuindo para a anovulação, e diminui os níveis de SHBG (Sex Hormone-Binding Globulin), levando a altas concentrações de testosterona circulante e dehidroepiandrosterona (DHEA).

A elevação da concentração plasmática do LH leva ao aumento da síntese de andrógenos intra-ovarianos, que levarão à atresia folicular e espessamento da sua cápsula.

Essas alterações, juntamente com o acúmulo de folículos císticos na sua periferia, são responsáveis pelo aspecto policístico e aumento de volume dos ovários.

O excesso de andrógeno altera a regulação dos hormônios femininos, resultando em níveis de estrógenos aumentados, irregularidade menstrual, infertilidade, acne, hirsutismo, acantose nigricans (hiperpigmentação aveludada de uma cor escura e mal definida, encontrada na nuca, axilas, parte interna das coxas, vulva e sob as mamas).

Esta é condição de resistência à insulina. A insulina portanto, aumenta a concentração de estrógenos e testosterona livres causando inúmeros dos sinais e sintomas vistos nesta patologia. Desta forma, o tratamento não deve ser direcionado primariamente aos ovários, e sim à condição hormonal ou metabólica subjacente.

“Usar apenas anticoncepcional hormonal para o tratamento desta síndrome é tratar a consequência e não a causa da disfunção”

Critérios revisados em 2004

Os critérios diagnósticos da síndrome dos ovários policísticos (SOP) foram revisados pelo The Rotterdam ESHRE/ ASRM – sponsored PCOS consensus workshop group, em 2004; os critérios postulados em 1999 requeriam dois fatores diagnósticos e os atuais requerem dois de três fatores.

  1. Oligomenorreia e/ou anovulação – Oligomenorreia é a menstruação com frequência anormal, em intervalos de mais de 35 dias.
  2. Sinais clínicos e/ou bioquímicos de hiperandrogenismo como acne, queda de cabelo, excesso de pelo e aumento do clitóris por exemplo, excluindo outras causas de hiperandrogenismo como hiperplasia congênita adrenal, tumores secretores de androgênios e síndrome de Cushing
  3. Ovários policísticos caracterizados pelo exame ultra-sonográfico padronizado, ou seja, presença de pelo menos um dos seguintes achados: 12 ou mais folículos medindo entre 2-9 mm de diâmetro ou volume ovariano aumentado (>10 cm3). Caso se constate a presença de um folículo dominante (> 10 mm) ou de corpo lúteo, o ultra-som (US) deverá ser repetido no próximo ciclo.

Causas:

  • Excesso de insulina. A insulina é o hormônio produzido no pâncreas que permite que as células usem o açúcar, o suprimento primário de energia do seu corpo. Se as células se tornarem resistentes à ação da insulina com o ganho de peso, seus níveis de açúcar no sangue podem aumentar e seu corpo pode produzir mais insulina. O excesso de insulina pode aumentar a produção de andrógenos, causando dificuldade na ovulação e favorecer mais estoque de gordura, num ciclo vicioso:
  • Inflamação de baixo grau. Este termo é usado para descrever a produção de globulos brancos no sangue para combater infecções. A pesquisa mostrou que as mulheres com SOP têm um tipo de inflamação de baixo grau que estimula os ovários policísticos a produzirem andrógenos, o que pode levar a problemas cardíacos e vasculares. Poder ser mensurada através do PCR US e FIBRINOGÊNIO
  • Hereditariedade. Pesquisas sugerem que certos genes podem estar ligados à SOP.
  • Excesso de andrógeno. Os ovários produzem níveis anormalmente altos de andrógeno,por conta do excesso de insulina, resultando em hirsutismo ( aumento de pelos) ,acne e queda de cabelo

Avaliação Hormonal

  • FSH e LH – a relação LH e FSH é geralmente > 3:1;
  • Hidroxiprogesterona (17 OHP) – para descartar a hiperplasia congênita da glândula supra-renal que pode causar um quadro clínico semelhante à SOP;
  • T3, T4, T4 livre e TSH – são hormônios ligados à tireoide que estão relacionados à síndrome;
  • Prolactina – hormônio que está aumentado normalmente em mulheres que estão amamentando, mas fora desta condição causa alterações menstruais;
  • Androgênios: Testosterona, Testosterona Livre, SHBG e SDHEA, androstenediona
  • Cortisol preferencialmente na saliva
  • IgF1
  • Hormonio Anti Mulleriano – níveis elevados são encontrados

Avaliação Metabólica

  • Perfil lipídico (colesterol, triglicérides);
  • Curva glicêmica (TTGO) com insulina ou de forma mais simples e eficaz a glicemia de jejum e pós-prandial acompanhada da insulina plasmática de jejum;
  • HOMA-r/HOMA-B – são testes para avaliar a resistência a insulina e não são realizados de rotina.
  • Marcadores de inflamação como fibrinogênio, proteina C Reativa e ferritina
  • Peptídeo C e Leptina são exames que podem ajudar a diagnosticar resistência a insulina pois não se alteram com o jejum como a insulina

Manifestações de excesso de andrógenos (por exemplo, aumento de pelos) podem causar grande aflição em pacientes, sendo a síndrome do ovário policístico a causa mais comum de infertilidade anovulatória. A síndrome do ovário policístico aumenta o risco de infertilidade, câncer de endométrio, metabolismo anormal da glicose e dislipidemia.

A figura abaixo apresenta a fisiopatologia básica de hiperandrogenemia na Síndrome do Ovário Policístico.

A síndrome do ovário policístico está associada com anormalidades cardiometabólicas e possivelmente a um risco aumentado de doença cardiovascular, além de aumentar o risco de infertilidade, câncer de endométrio e níveis alterados da glicose

Entre as mulheres com esta síndrome:

  • 50 a 80% são obesas. A distribuição de gordura é frequentemente abdominal (visceral) e associada à anormalidades metabólicas (hipertensão, dislipidemia, resistência insulínica e intolerância à glicose). O diagnóstico em adolescentes tem aumentado, devido ao crescente número de adolescentes obesas.
  • Intolerância à glicose ( aumento da glicemia de jejum e/ou da glicemia 2 horas depois do uso de solução c0m dextrose) é relatada em 30 a 35% das mulheres americanas com síndrome do ovário policístico clássica
  • Diabetes mellitus tipo 2 é relatada em 8 a 10%. O risco destas condições é influenciado pela idade, adiposidade e histórico familiar de diabetes.
  • Baixo HDL colesterol
  • LDL colesterol e triglicerídeos mais elevados do que mulheres sem a síndrome.

Metformina e sensibilização à insulina.

O tratamento com dieta, atividade física e mudança de hábito de vida deve ser orientado às pacientes com SOP, pois melhora praticamente todos os seus parâmetros relacionados à composição corporal, metabólicos, cardiovasculares e hormonais, função reprodutiva e sensibilidade à insulina.

Com exercícios e dieta, mulheres com SOP atingem melhora na sensibilidade à insulina, diminuição da insulina basal e redução do nível de hormônio luteinizante (LH).

Estudos controlados mostraram que a administração de metformina, promovendo a perda de peso corporal pode diminuir a insulina de jejum . No entanto, outros estudos demonstraram a metformina 500 mg 3 vezes ao dia pode diminuir a secreção de insulina com recuperação de ovulação espontânea ou induzida por clomifeno, independentemente da perda de peso.

Em um trabalho realizado na Universidade federal de São Paulo -UNIFESP, por Maciel e Baracat, com a utilização de metformina no tratamento da SOP, o autor concluiu que a metformina mostrou-se eficaz no tratamento do hiperandrogenismo das pacientes não obesas com SOP.

A utilização da metformina por 24 meses em mulheres com síndrome dos ovários policísticos com peso normal ou excesso de peso, está associada com a melhora dos parâmetros hormonais e com a melhora na regularização dos ciclos menstruais da pacientes. De fato, existem diferenças nas respostas ao tratamento com a metformina de acordo com peso e com os níveis de testosterona de cada paciente. O médico deve estar ciente da eficácia da metformina na prática clínica em mulheres com SOP, devendo considerar a utilização deste medicamento na prática clínica diária.
Fonte : medscape

Referência:
Yang PK, Hsu CY, Chen MJ, et al. The efficacy of 24-month metformin for improving menses, hormone and metabolic profiles in polycystic ovary syndrome [Epub ahead of print, 2018]. J Clin Endocrinol Metab.doi:10.1210/jc.2017-01739

Cromo e sensibilização à insulina

O cromo aumenta a sensibilidade dos receptores de insulina (300 microgramas por dia). O uso de picolinato de cromo é útil na SOP, para reduzir a resistência à insulina e estimular a ovulação, de acordo com estudo realizado por Ashoush e colaboradores da Universidade Ain Shams, no Cairo, Egito.

Mioinositol no tratamento de adolescentes afetadas pela SOP.

O inositol é um composto orgânico de alta importância biológica que é amplamente distribuído na natureza.

Pertence à família dos carboidratos o mio-inositol e D-chiro-inositol são encontrados no organismo na proporção fisiológica no plasma de 40:1. O inositol e os seus derivados são componentes importantes dos fosfolipídeos estruturais das membranas celulares e são precursores dos segundos mensageiros de muitas vias metabólicas.

A deficiência de inositol e o comprometimento das vias dependentes e inositol podem desempenhar um papel importante na patogênese da resistência à insulina e hipotiroidismo.

Um estudo foi realizado por Pkhaladze e colaboradores do Archil Khomasuridze Institute of Reproductology, Georgia e publicado em agosto de 2016 no International Journal of Endocrinology, para comparar a eficácia de mio-inositol (MI) e pílulas anticoncepcionais orais (OCP), em monoterapia e em combinação, no tratamento de adolescentes afetadas pela síndrome do ovário policístico (SOP). As pacientes que receberem MIOINOSITOL apresentaram uma redução significativa no peso, IMC e nos níveis de glicose, peptídeo C, insulina, HOMA-IR, FT, e LH.

“O inositol pode ser usado pela via oral e/ ou endovenosa”

Saw Palmetto:

É uma erva que é tradicionalmente considerada, à luz do seu sucesso, no tratamento de problemas de próstata causados por um desequilíbrio hormonal (incluindo excesso de testosterona).

É uma pequena palmeira (Serenoa repens) encontrada na América do Norte cujos frutos são utilizados em tinturas ou na forma de cápsulas.

Algumas pesquisas escassas mostraram que saw palmetto age como um anti-androgênico, o que pode ser muito útil para mulheres que apresentam níveis elevados de testosterona.

Ele inibe a atividade da enzima 5-alfa-redutase, diminuindo, assim, a conversão de testosterona em di-hidrotestosterona, a forma mais androgênica do hormônio masculino. Isto tem implicações na redução de acne, excesso de pelos faciais e no corpo.

A alta prevalência de tireoidite de Hashimoto em pacientes com SOP: qual o papel do desequilíbrio entre estradiol e progesterona?

Alguns fatores, tais como a susceptibilidade genética e inflamação sub clínica/auto-imunidade, podem contribuir para o desenvolvimento tanto de SOP quanto tiroidite de Hashimoto (HT), sugerindo um potencial patogênico entre as duas comuns doenças. Foi investigada a relação entre SOP e HT, considerando o possível efeito hormonal relacionado com a SOP e fatores metabólicos sobre auto-imunidade e tireoide. Pacientes com SOP e tireoidite de Haschimoto possuem níveis mais elevados de estrógenos e maior relação estradiol/progesterona no sangue e elevação de anticorpos anti-TPO e anti-tireoglobulina.

N-Acetil-Cisteína (NAC)

É um derivado estável do aminoácido cisteína contendo enxofre e um antioxidante, que é necessário para a produção de glutationa, um dos mais importantes antioxidantes e desintoxicantes naturais do corpo. NAC melhora a função da insulina em seus tecidos periféricos.

O tratamento com NAC reduz de forma significativa níveis de testosterona em mulheres com SOP.

Um estudo realizado por pesquisadores da Iran University of Medical Sciences e da Faculty of Medicine, University of Southampton, cujo objetivo foi comparar os efeitos da N-acetilcisteína (NAC) e da metformina na Síndrome do Ovário Policístico foi realizado como um ensaio clínico duplo-cego randomizado em mulheres com diagnóstico de SOP, sem complicações adicionais.

Foi administrado a um dos grupos, por via oral, 600 mg de NAC, três vezes por dia e no outro grupo, 500 mg de metformina, também por via oral, três vezes ao dia.

Pelos resultados obtidos, os pesquisadores concluíram que a NAC pode melhorar o perfil lipídico e da glicemia e insulina no sangue em jejum, melhor do que a metformina.

Dieta Low Carb, cetogênica e SOP

Um estudo realizado por Eslamian e colaboradores da Shahid Beheshti University of Medical Sciences e publicado em junho de 2016 no Journal of Human Nutrition and Dietetics, teve como objetivo investigar a associação entre a dieta de baixo carboidratos componentes e síndrome do ovário policístico no Irã.

Neste estudo de caso-controle, o diagnóstico de SOP foi feito com base nos critérios de Rotterdam em clínicas hospitalares.

Avaliações dietéticas foram realizadas utilizando um questionário de frequência alimentar semi-quantitativo validado.

Os resultados obtidos neste estudo levaram os pesquisadores a concluir que a dieta de alto ÍNDICE GLIGÊMICO, ALTA CARGA GLIÇÊMICA e baixa ingestão de fibras estão significativamente associadas com a SOP.

As dietas low carb, ou seja, dietas caracterizadas pela ingestão reduzida de carboidratos (20 a 30 % de carboidratos do valor calórico total como mostrado abaixo) são conhecidas reduzirem o níveis de açúcar e insulina no sangue, o que pode contribuir com a melhora da síndrome dos ovários policísticos.

Uma modalidade de dieta que também pode contribuir é a dieta cetôgenica pois a quantidade de carboidrato é ainda menor . Hoje em dia, as dietas cetogênicas são utilizadas por muitas pessoas com o objetivo de perda de peso e de gordura, no tratamento da síndrome metabólica, da obesidade, do diabetes, SOP e até do câncer.

A DC baseia-se na redução drástica no consumo de carboidratos e aumento da ingestão de lipídeos e proteínas , o que leva à produção de corpos cetônicos (acetoacetato, acetona e 3-hidroxibutirato) que passam a ser utilizados como fonte de energia pelo organismo ao invés da glicose.

(Leia mais em: http://www.robertofrancodoamaral.com.br/blog/alimentacao/dieta-cetogenica-e-low-carb-high-fat-lchf-implicacoes-clinicas)

Ilustraçao: Paleodiário

Dicas de alimentação e estilo de vida

  • Evite ao máximo todas as formas de açúcar;
  • Evite ao máximo os carboidratos como por exemplo pães, massas, cereais e bolos, pois são rapidamente transformados em açúcares;
  • Controle e conte a ingestão de carboidratos provenientes de fontes naturais como batata doce, arroz e frutas caso faça a dieta low carb. Um nutricionista pode te ajudar nesta questão
  • Evite refrigerantes, sucos de frutas ricos em frutose que possam elevar os níveis de açúcar, principalmente laranja, maçâ melancia e uva;
  • Prefira frutas com baixa quantidade de frutose como coco , limão, tomate, abacate e fruta vermelhas.
  • Gordura animal como gema e as contidas nas carnes não são maléficas para a saúde e podem ajudar a controlar o apetite e gerar energia na dieta de baixo carboidrato ou cetogênica
  • Use oleaginosas a granel como amêndoas, nozes , amendoim e castanha do Pará. Na forma de barras a grande maioria possui frutose industrializada ( high fructose corn syrup);
  • Consuma quantidades adequadas de proteínas pois elas aceleram o metabolismo durante a digestão mas o excesso também se transforma em açúcar no sangue – o ideal é de 1,5 a 2 g/kg de peso ao dia. Boas fontes de proteínas: carne vermelha, frango, peixe, carne de porco, frutos do mar e whey protein.
  • Use lácteos fermentados como queijos maturados e iogurtes naturais integrais. Iogurte bom é azedo !
  • Não use óleo de canola, soja, girassol e milh0 e margarina.
  • Prefira óleo de coco, palma, azeite, manteiga e banha de porco de origem natural.
  • Use e abuse de folhas e vegetais que não contenham amido.
  • Considere a possibilidade de fazer dieta cetogênica ou paleolítica mas procure um especialista para tal;
  • Elimine o cigarro;
  • Durma e acorde cedo
  • Pratique exercícios de força mesclados com atividades aeróbicas pois são excelentes para sensibilizar a insulina também
  • Não exagere no álcool e prefira vinho em relação a cerveja tendo em vista a quantidade de carboidratos;
  • Aumente a quantidade de alimentos fibrosos como vegetais crus.
  • Não use aspartame, ciclamato, sacarina ou sucralose pois causam disbiose e resistência a insulina. Prefira xylitol, stevia, taumatina e eritritol

Melatonina e SOP

Há indícios de que a melatonina influencie na ação do hormônio de crescimento e dos níveis de insulina.

Além disso, atuaria diretamente no ovário, especificamente no desenvolvimento folicular (presença de altas concentrações no líquido folicular) na sua produção hormonal .

Os animais pinealectomizados desenvolvem resistência insulínica (em adipócitos e células musculares) dependente da redução considerávelna síntese dos transportadores de glicose do tipo GLUT4, sendo que o tratamento de reposição com melatonina restaura o conteúdo de GLUT4 no tecido adiposo.

Em suporte à ação da melatonina sobre a resistência insulínica, Lima e colaboradores demonstraram consideráveis modificações morfológicas e morfométricas nas células beta do pâncreas (produtoras de insulina) em animais pinealectomizados. P

or este mecanismo de ação, a melatonina poderia interferir, indiretamente, na função ovariana devido ao distúrbio endócrino relacionado à hiperinsulinemia e aos fatores insulinoides

Peptídeo-c como marcador de risco metabólico em mulheres com síndrome do ovário policístico

Uma pesquisa publicada em março deste ano no Journal of Clinical Medicine Research revela que o peptídeo-c é um bom marcador de risco cardiometabólico em mulheres com síndrome do ovário policístico.

O peptídeo-c reflete melhor a secreção pancreática. Isto vale para a população em geral. Apesar desta vantagem teórica, na prática, o mais utilizado ainda é a dosagem da insulina”.

Os achados da pesquisa apoiam a ampliação do uso do peptídeo-c em mulheres com SOP tanto isolado quanto em associação com outras variáveis. A escolha quanto ao emprego do marcador com ou sem associação dependerá do custo e da precisão exigida na prática clínica.

Mulheres com síndrome do ovário policístico apresentam menor diversidade bacteriana no intestino

O estudo está publicado online no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism .

Os resultados indicam que as mulheres com SOP tendem a ter populações menos diversificadas de bactérias intestinais, uma tendência que parece estar ligada a níveis elevados de testosterona

Os pesquisadores examinaram swabs fecais de 73 mulheres diagnosticadas com SOP. Suas amostras foram comparadas com swabs de 48 mulheres que não tinham SOP e 42 mulheres que tinham ovários policísticos, mas não tinham as outras características da SOP.

O estudo descobriu que as mulheres que tinham SOP tinham as bactérias intestinais menos diversificadas, as mulheres que não tinham a doença tinham as bactérias intestinais mais diversas e as mulheres que tinham ovários policísticos tendiam a ter bactérias intestinais mais diversificadas do que as mulheres com SOP, mas menos diversidade do que mulheres sem a condição.

Este estudo sugere que a testosterona e outros hormônios andrógenos podem ajudar a moldar o microbioma intestinal, e essas mudanças podem influenciar o desenvolvimento da SOP e o impacto que ela tem na qualidade de vida das mulheres

Vitamina D e Probióticos podem melhorar a saúde mental, sinais ligados ao excesso de testosterona como acne e queda de cabelo, inflamação, estresse oxidativo

Estudo divulgado agora em 2019 mostrou que a administração de 50.000 UI de vitamina D a cada 2 semanas ( dose discreta)+ probióticos ( 8 bilhões /dia) em cápsulas, com as seguintes cepas:

  • Lactobacillus acidofilus,
  • Bifidobacterium bifidum
  • Lactobacillus reuteri
  • Lactobacillus fermentum (2 × 10 9ªCFU/g cada ou 2 bilhões cada),

foi capaz de trazer melhora: nos parâmetros mentais ( a SOP associa-se com frequência a transtornos psiquiátricos como compulsão alimentar , ansiedade , depressão e distúrbio bipolar ) , testosterona total , hirsutismo ( pelos anômalos ) , diminuição de fatores inflamatórios e aumento de antioxidantes, úteis no combate ao estresse oxidativo ( excesso de radicais livres provocando danos e complicações associadas à SOP).

Cromo e L Carnitina na Síndrome dos Ovários Policísticos

Este ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado por placebo foi realizado em 54 indivíduos, com idades entre 18 e 40 anos. Os indivíduos foram alocados aleatoriamente para tomar 1000 mg por dia de carnitina mais 200 µg / d de cromo como picolinato de cromo (n = 26) ou placebo (n = 27) por 12 semanas.

A co-suplementação de carnitina e cromo, comparada ao placebo, melhorou significativamente o inventário de depressão escores de ansiedade e estresse de depressão Os participantes que receberam suplementos de carnitina e cromo tiveram testosterona total significativamente menor hirsutismo , proteína C reativa mais baixa e maiores níveis de capacidade antioxidante total em comparação ao placebo.

Além disso, a co-suplementação de carnitina e cromo aumentou a expressão gênica de interleucina-6 ( anti inflamatória) e fator de necrose tumoral alfa ( pró inflamatória) em comparação com o placebo.

DÚVIDAS COMUNS:

QUAL O MELHOR TRATAMENTO PARA SÍNDROME DOS OVÁRIOS POLICÍSTICOS?

Aquele que priorize acima de tudo mudança de estilo de vida com dieta de baixo carboidrato e prática regular da exercícios . E não me venham com caminhada, pois isto é relaxamento!

Além disso, aquele tratamento que priorize medicamentos, minerais, aminoácidos e fitoterápicos que sensibilizem a insulina pois como falado no artigo, esta é causa do problema.

SÍNDROME DOS OVÁRIOS POLICÍSTICOS ENGORDA?

Sim , pois a resistência a insulina favorece estoque de gordura e desfavorece a queima da mesma. Porém, se esta mulher perder gordura e normalizar os níveis de insulina, leptina, glicemia e peptideo C, ela consegue se manter magra e sem a síndrome caso se mantenha em dieta de baixo de carboidrato e pratica regular de exercícios.

SÍNDROME DOS OVÁRIOS POLICÍSTICOS E GRAVIDEZ.

A irregularidade menstrual é um sinal de que a ovulação não está acontecendo de forma ideal. Portanto, o tratamento da SOP c0m normalização da insulina e perda de gordura, regulariza o ciclo e favorece a gravidez.

SÍNDROME DOS OVÁRIOS POLICÍSTICOS CAUSA DOR NOS OVÁRIOS

Caso os ovários contenham cistos grandes, estes podem gerar um processa inflamatório local e causa dor . Porém , isto também depende da sensibilidade de cada mulher.E nem sempre a SOP cursa com cistos nos ovários e nestes casos logicamente a mulher não terá dor.

QUAL A MELHOR FORMA DE INIBIR O CRESCIMENTO DE DE PELOS?

Tratar a causa base do problema que é a resistência a insulina .Porém, como isso não ocorre tão rápido, podemos lançar mão de fitoterápicos como o saw palmeto e medicamentos como a espironolactona

QUAL A MELHOR FORMA DE INIBIR O DESENVOLVIMENTO DE ACNE?

Tratar a causa base do problema que é a resistência a insulina com perda de gordura e sensibilizadores da insulina ( ver texto acima) .Porém, como isso não ocorre tão rápido, podemos lançar mão de fitoterápicos como o saw palmeto e medicamentos como a espironolactona. Também podem ser usados antibióticos e outros medicamentos como Isotretinoína em casos de acne severa

ESPIRONOLACTONA (ALDACTONE) EMAGRECE?

Todos diuréticos eliminam água do corpo e você perde a peso as custa da perda de água corpórea, porém sua massa de gordura continuará a mesma e quando ingerir líquidos novamente o peso se restabelecerá.

Assim a resposta é : NÃO

QUAL A MELHOR FORMA DE INIBIR O DESENVOLVIMENTO DE QUEDA DE CABELO?

Tratar a causa base do problema que é a resistência a insulina com perda de gordura e sensibilizadores da insulina ( ver texto acima). Porém, como isso não ocorre tão rápido, podemos lançar mão de fitoterápicos como o saw palmeto e medicamentos como a espironolactona. Gosto desta última pois ela não bloqueia a testosterona livre de forma tão intensa como os anticoncepcionais.

Também podem ser usados medicamentos mais específicos para este fim em caso de perde de cabelo severa.

QUAL O MELHOR ANTICONCEPCIONAL PARA A SÍNDROME DOS OVÁRIOS POLICÍSTICOS?

Caso tenham lido o artigo todo, a ideia é não usar anticoncepcional pois este cria um ambiente hormonal e metabólico muito desfavorável para a mulher perder peso.Porém, em casos refratários e difícil manejo , eles podem ser usados.

REFERÊNCIAS

Polycystic Ovary Syndrome

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Hirsutismo

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Myo-Inositol in the Treatment of Teenagers Affected by PCOS.

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Inositol and human reproduction. From cellular metabolism to clinical use.

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Tratamento da Síndrome dos Ovários Policísticos com Metformina: Avaliação de Resultados Clínicos e Laboratoriais.

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Chromium picolinate reduces insulin resistance in polycystic ovary syndrome: Randomized controlled trial.

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Dieta Cetogênica e Low Carb High Fat ( LCHF) – Implicações Clínicas

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The relationship between bone metabolism, melatonin and other hormones in sham-operated and pinealectomized rats.

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Influence of the pineal gland on the hysiology, morphometry and morphology of pancreatic islets in rats.

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Role of Anti-Müllerian Hormone in pathophysiology, diagnosis and treatment of Polycystic Ovary Syndrome: a review.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4687350/

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Publicadas novas diretrizes para síndrome dos ovários policísticos

A guideline endossa formalmente os critérios de Rotterdam para o diagnóstico de SOP em adultas, definidos

  • Oligo ou anovulação +
  • Hiperandrogenismo clínico e/ou bioquímico OU
  • Ovários policísticos em ultrassonografia, observando que a ultrassonografia não é recomendada para diagnóstico na presença de oligo/anovulação e hiperandrogenismo.
  • Em adolescentes, tanto a oligo/anovulação quanto o hiperandrogenismo são necessários para o diagnóstico, com a ultrassonografia não sendo necessária para o diagnóstico.
  • Os níveis hormonais anti-Müllerianos e a resistência à insulina ainda são considerados critérios diagnósticos nesta diretriz.
  • As terapias recomendadas para o tratamento da SOP incluem pílulas anticoncepcionais orais como farmacoterapia de primeira-linha para irregularidade menstrual e hiperandrogenismo, sem formulação específica recomendada, com as preparações de baixa dose preferidas.
  • A metformina é recomendada em adição às pílulas anticoncepcionais ou sozinha para o controle de alterações metabólicas.
  • O letrozol é recomendado para terapêutica farmacológica de primeira-linha da infertilidade, seguido do clomifeno e da metformina isoladamente ou em associação.
  • Em mulheres com SOP e infertilidade anovulatória, as gonadotrofinas são a terapia de segunda-linha recomendada.

Para lembrar:
As novas diretrizes aumentam o foco em educação e mudança do estilo de vida, enfatizando terapias médicas baseadas em evidências e um manejo da fertilidade mais barato e seguro.

Referência:
International evidence based guideline for the assessment and management of polycystic ovary syndrome. Monash University, Australia. Disponível em: https://www.monash.edu/__data/assets/pdf_file/0004/1412644/PCOS-Evidence-Based-Guideline.pdf


Fonte: Dr. Roberto Franco do Amaral Neto