Com certeza, você já ouviu esse ditado: você é o que você come.

Mas até o homem que disse essa frase há mais de 150 anos pode não ter percebido o quanto é real.

Cientistas descobriram a primeira evidência de bactérias vivendo no cérebro humano. E mais: sugere-se que elas chegaram ao local viajando pela corrente sanguínea do intestino.

A descoberta, feita por acaso, após analises em cérebros de humanos falecidos, tem sido rotulada de “alucinante” e “revolucionária”.

Pesquisadores da Universidade do Alabama, em Birmingham, apresentaram suas descobertas em uma das mais importantes convenções científicas, em San Diego, na semana passada.

O estudo foi originalmente concebido para comparar e analisar diferenças entre cérebros de pessoas mentalmente saudáveis ​​e esquizofrênicos.

Se confirmado, as descobertas podem abrir caminho para uma nova rota de pesquisa investigando como as bactérias podem afetar nossos cérebros.

O cérebro é protegido de bactérias e vírus por uma membrana em torno dele e, até agora, acreditava-se que qualquer coisa que o atravessasse seria uma doença grave.

Dr. Ronald McGregor, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, que não esteve envolvido com a pesquisa, disse que a descoberta é “alucinante”.

Em entrevista à revista Science , o Dr. McGregor disse: “É como uma nova fábrica molecular [no cérebro] com suas próprias necessidades”.

Sabe-se que as bactérias no nosso intestino afetam a saúde do resto do nosso corpo, controlando potencialmente o nosso peso, risco de doença e até ligando-nos à ansiedade e depressão.

Uma pesquisa publicada em junho pela Harvard Medical School classificou o intestino como um “segundo cérebro” por causa de como isso afeta nosso humor.

Os cientistas, liderados pelo Dr. Rosalinda Roberts, enfatizaram o fato de seu trabalho ainda não ter sido verificado por outros especialistas.

Eles avisaram que os 34 cérebros que eles testaram poderiam ter sido contaminados porque estavam todos mortos.

No entanto, a forma como as bactérias foram distribuídas pelos cérebros – e o fato de estarem presentes em cada uma delas – sugere que isso não foi acidental.

Roberts continuou encontrando amostras em forma de “bastonete” em suas lâminas de microscópio, mas ignorou-as no início porque ela estava procurando por algo mais.

Mas depois de perceber que eles apareceram em cada cérebro que ela olhou, o Dr. Roberts enviou uma amostra para um bacteriologista – que confirmou que eles eram bactérias.

Testes em ratos foram então realizados para verificar se era possível que as bactérias estivessem em seu cérebro.

Eles descobriram que roedores criados para não ter nenhum traço de bactérias no intestino também não tinham nenhum em seus cérebros.

Roberts e seus colegas não sabem ao certo como as bactérias chegaram lá, mas sugerem que viajaram no sangue e se alojaram em fibras nervosas dentro do crânio.

O doutor Teodor Postolache, da Universidade de Maryland, mas que não participou da pesquisa, disse: “Há muito a investigar. Não estou muito surpreso que outras coisas possam viver no cérebro, mas é claro que é revolucionário, se é assim”.

Se a pesquisa for acurada, pode explicar estudos anteriores que encontraram bactérias no cérebro de pessoas com doença de Alzheimer.

Os resultados foram apresentados na reunião anual da Society for Neuroscience.


Fonte: Diário Online